Incentivada pelos Estados Unidos e posteriormente outros países mais desenvolvidos, na relação da produção mundial de alimentos, intensificaram o processo de capitalização da agropecuária nos países menos subdesenvolvido, como o Brasil, fazendo parte da grande estratégia de revigoramento do sistema capitalista mundial em um âmbito da globalização e regionalização da economia mundial.
A penetração do modelo capitalista no campo promoveu profundas transformações, com destaque para a crescente qualificação e especialização das lavouras, com maior destaque para as culturas agroindustriais de alimentos destinadas ao mercado externo.
O processo tinha por objetivo aumentar a produção e a produtividade da agropecuária envolvendo os países menos desenvolvidos no processo mundial, promovendo o uso de máquinas, tratores, fertilizantes, equipamentos de irrigação, defensivos agrícolas, sementes selecionadas alteradas geneticamente etc. Surgia à ideia de modernização e aumento da produtividade na agropecuária nesses países, através da denominada Revolução Verde,
A Revolução Verde é definida pela incorporação de um pacote tecnológico no campo, pelo uso de fertilizantes químicos, sementes selecionadas, corretores do solo, agrotóxicos, máquinas agrícolas, irrigação e conhecimento técnico especializado, através da biotecnologia e da engenharia genética, técnicas desenvolvidas após a segunda guerra mundial e pelo modelo fordista de produção. Com o avanço da biotecnologia, os cientistas decifraram o código genético humano e de várias outras espécies vegetais e animais, como a clonagem da ovelha Dolly, no setor da agropecuária teve início aos Organismos Geneticamente Modificados, denominados de OGMs ou transgênicos.

Fonte: Transgênico – Organização Mundial da Saúde – OMS
Um dos fatores marcantes da Revolução Verde foi à criação de novas sementes de arroz, milho e de trigo modificados geneticamente com altíssima produtividade. Porém, a transferência de tecnologia da forma como foi efetuada, ou seja, a imposição de técnicas agrárias produtivas de áreas temperadas para os trópicos trouxe uma série de problemas como, por exemplo, a adoção da monocultura em grandes áreas agrícolas que aumentou significativamente a produtividade, mas, ao mesmo tempo, favoreceu o aparecimento de pragas invasoras, como a lagarta da soja, o besouro bicudo do algodão e a vassoura de bruxa na produção de cacau no estado da Bahia e favorecendo a concentração fundiária nesses países.
A comercialização de plantas geneticamente modificadas começou em meados da década de 1990 do século passado com o tomate de maturação lenta e a soja resistente ao herbicida e pesticida. Outras plantas foram depois desenvolvidas e liberadas para uso comercial, tendo como características resistência a insetos, vírus, fungos, melhor aparência e qualidade nutricional de consumo.
Nessa década a biotecnologia, utilizando a pesquisa do genoma, ocorre o desenvolvimento e a produção de OGMs, organismos geneticamente modificados. O que gerou e continuam gerando diversas discussões e controvérsias, esses produtos são conhecidos atualmente como transgênicos. Gerando como ponto positivo a elevação da produtividade, com plantas mais resistentes a vírus, pragas, insetos e fungos, além de espécies resistentes as secas prolongadas e se adaptando a solos ácidos.

Fonte: Organização Mundial da Saúde – OMS
A chamada biotecnologia utilizada para estimular o aumento da produtividade no campo tem sido aplicada já há algum tempo e a avaliação dos resultados é bastante controvertida, está relacionada ao desenvolvimento de diversas técnicas agropecuárias voltadas ao aprimoramento de espécies vegetais e animais, buscando o aumento da produtividade e uma melhoria sensível da qualidade da produção.
As novas variedades genéticas são produzidas por grandes corporações multinacionais e transnacionais, cujas mudas e sementes têm sido patenteadas, com a possibilidade de cultivar espécies vegetais do clima temperado em regiões de clima tropical e semiárido, acelerando o crescimento de algumas espécies, além de mais de uma safra por ano.
A utilização dessas novas variedades só é acessível por intermédio da compra das patentes e do pacote tecnológico necessário à sua produção. As bases dos argumentos contra os transgênicos resultam das preocupações de determinados setores da sociedade com a preservação da biodiversidade e a política preventiva de saúde coletiva.
Uma alternativa que vem ganhando força em todo o mundo é a agricultura orgânica. O aumento das áreas que cultivam produtos orgânicos deve-se ao crescimento da demanda por esses produtos em todo o mundo. Os fatores mais importantes para o crescimento dessa demanda referem-se à segurança alimentar, às preocupações ambientais e ao melhor sabor dos alimentos, aumentando o teor de proteínas, vitaminas e sais minerais de frutas, verduras e legumes.
Devido ao processo produtivo de investimento de capital nesses produtos orgânicos ainda estão inviáveis para uma grande parcela da população, devido principalmente ao seu custo de produção e o valor elevado para o consumidor final.
MULTINACIONAIS DE ALIMENTOS AGRAVAM POBREZA
Documento da ActionAid, apresentado no Fórum Social Mundial de 2011, revela que um pequeno grupo de empresas domina a maior parte do comércio mundial de itens como trigo, café, chá e bananas. Um terço de todo o alimento processado do planeta está nas mãos de apenas 30 empresas. Outras 5 controlam 75% do comércio internacional de grãos. Do total da produção e da venda de agrotóxicos, também 75% são dominados por 6 companhias, e uma única multinacional, a Monsanto, detém 91% do setor de produção e venda de sementes.
Adaptado de www.observatoriosocial.org.br