Foi após a Segunda Guerra Mundial, entretanto, que o movimento sionista ganhou fôlego. As atrocidades cometidas pelos nazistas sensibilizaram a opinião pública mundial em favor dos judeus. A Grã-Bretanha, que mantinha a região da Palestina como um protetorado, renunciou à sua autoridade na região em favor da ONU, que deveria promover um plano de partilha entre árabes e israelenses. Os árabes, contudo, mostraram-se mais do que hostis ao princípio de constituição de um Estado judeu em uma região em que desde o século VII florescia o islamismo.
Em 1945, foi fundada a Liga Árabe, constituída inicialmente por um número modesto de países recém-independentes: Egito, Líbano, Síria, Jordânia e Iraque. A Liga Árabe foi organizada com um duplo objetivo declarado: promover o neonacionalismo árabe, isto é, a descolonização, e impedir a criação do Estado de Israel. O primeiro objetivo foi um tremendo sucesso, enquanto o segundo um estrondoso fracasso. Em 1948, em uma manobra militar mal coordenada, a Liga Árabe atacou Israel com o objetivo de impedir a criação do Estado judeu. O resultado da guerra foi a vitória de Israel, que ocupou 75% dos territórios que deveriam ser entregues aos palestinos para a constituição da República Árabe da Palestina. Os outros 25% foram ocupados por egípcios (Faixa de Gaza) e jordanianos (Cisjordânia).
Em 1956, durante a chamada Crise de Suez, ocorreu a segunda guerra árabe-israelense. O canal de Suez, construído no século XIX por um consórcio anglo-francês, é uma importante rota de petróleo, pois liga o mar Vermelho ao mar Mediterrâneo, região sul da Europa que consome o produto. O líder egípcio, Gamal Abdel Nasser, expoente do neonacionalismo da região, desafiou, portanto, as duas potências europeias decadentes. Não tardou para que os governos de Londres e Paris, aliados aos israelenses, desejosos de ocupar novos territórios para concretizar o projeto de criação de uma zona de defesa, empreendessem uma aventura militar contra o Cairo.
Em tempos de Guerra Fria, porém, os novos atores principais das relações internacionais não poderiam tolerar tamanha afronta intervencionista sem terem sido consultados. A União Soviética do líder Nikita Kruchev, desejosa de penetrar na rica região petrolífera do Oriente Médio, ameaçou a Inglaterra e a França de retaliação nuclear se o Egito não fosse deixado em paz. Os Estados Unidos, governados pelo presidente Eisenhower, temendo uma escalada militar que pudesse conduzir à guerra, exigiram de seus parceiros da Otan que a agressão militar cessasse. A Crise de Suez, após o abandono do Egito pelo consórcio anglo-franco-israelense, demonstrava que o mundo tinha novas superpotências, evidenciando a fragilidade e decadência europeia. Aos europeus nada mais restava senão tentarem organizar mecanismos de união continental na tentativa de contrabalançar a influência americana e soviética.