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Nova Ordem Mundial – As crises econômicas: A crise da COVID – 19

No final do ano de 2019 o mundo se deparou com o avanço do vírus da Covid-19 que se iniciou na China, consequentemente teve início uma grave crise econômica provocada pelo avanço dessa pandemia no mundo globalizado. Instituições internacional como o FMI, Fundo Monetário Internacional e diversos economistas começaram a projetar uma crescente desaceleração do crescimento da economia globalizada ou uma recessão mundial no ano de 2020 e 2021.

Com o fechamento de empresas nas diversas partes do mundo, piora nas contas públicas e desemprego em nível recorde, principalmente nos países menos desenvolvidos. São algumas das cicatrizes da pandemia do Covid-19 nos cenários econômicos do mundo globalizado. O nível de impacto econômico ou perspectivas de recuperação variam entre as diversas economias dos países menos desenvolvidos e mais desenvolvidos, com realidades distintas.

Um impacto já observado na economia mundial está relacionado diretamente com a redução de renda da população mais pobre e a relação da diminuição da produção industrial mundial, podendo provocar um empobrecimento de uma grande parcela da população, principalmente nos países menos desenvolvidos.

Essa pandemia intensificou uma crise de produção de importação e exportação de alimentos no mundo, favorecendo a fome que já vinha se acirrando. Em 2019, antes da pandemia se estimava que 821 milhões de pessoas sofressem de insegurança alimentar no mundo, 149 milhões das quais estavam em situação de vulnerabilidade alimentar.

A dramática desaceleração da economia global, combinada com as severas restrições impostas à circulação de pessoas, com o isolamento social e a quarentena com a pandemia levou a uma perda maciça de empregos em todo o mundo. Com o avanço do vírus os países mais afetados provocaram uma redução ou interrupção das atividades econômicas e normais da sociedade, impactando negativamente o consumo, produção industrial e os investimentos público e privado.

Sem renda ou apoio social, milhões de pessoas no mundo menos desenvolvido simplesmente não estão ganhando o suficiente para se alimentar. A OIT, Organização Internacional do Trabalho estima que o equivalente a 305 milhões de empregos em período integral foram perdidos devido à pandemia, afetando principalmente mulheres e jovens. Essa perda de empregos pode empurrar até meio bilhão de pessoas para a extrema pobreza.

As mudanças econômicas e sociais provocadas pela corona vírus, nesse século XXI, além dos gastos dos governos na área de saúde pública, com a compra de equipamentos e vacinas, deverão permanecer na sociedade mundial, principalmente nos países menos desenvolvidos, durante muitos anos, afetando e impactando o comércio e a produção industrial mundial, segundo alguns economistas.

As incertezas e baixas chances de previsibilidade parecem ser o único consenso diante de consequências difíceis de mensurar em sua totalidade essa pandemia. Explicações sobre todas as implicações desse período podem levar alguns anos ainda, para uma conclusão final. Apesar disso, podemos vislumbrar com atenção algumas possibilidades que surgem nessa época de adaptações.

“Esta epidemia do Vírus Corona não é mais do que a última de uma triste sequela que começou nos anos oitenta do século passado, quando a maior parte dos governos do mundo abraçaram o neoliberalismo e a globalização e a sua cruel doutrina que proclamava uma drástica redução dos gastos públicos e desmantelamento da intervenção do Estado nos programas sociais. Desta maneira, se criou uma cultura onde o lucro estava por cima de tudo e de todos; onde valia o corte dos recursos humanos dos sistemas de saúde, tanto nacionais quanto internacionais, e onde se banalizaram um rosário de desastres sanitários como a Aids, Dengue, SARS, H1N1, Ebola, Zika e agora a epidemia de Covid 19 que nos oprime”.

(Marcos Cueto: Editor Científico da Revista História, Ciências, Saúde – Rio Manguinhos).

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