Em julho de 1989, o sindicato polonês Solidariedade, graças às reformas de Gorbatchev, as quais preconizavam um considerável liberalismo político, obteve uma das mais esmagadoras vitórias eleitorais da história da Europa, mostrando o quanto a população da Polônia comunista não suportava mais um regime ditatorial que oferecia um péssimo padrão de vida. O sindicalista católico Lech Walesa tornar-se-ia o primeiro presidente não comunista do país desde a Segunda Guerra Mundial.
No mês seguinte, na Praça Tiananmen, conhecida pelos ocidentais como Praça da Paz Celestial, em Pequim, ocorreu o mais terrível massacre comunista perpetrado contra manifestantes empolgados com o anúncio das reformas Gorbatchev. Os jovens estudantes chineses reuniram-se na Praça da Paz Celestial, centro do poder político chinês, com o objetivo de forçar o governo a adotar as reformas recomendadas por Gorbatchev. Os estudantes chegaram a construir uma estátua de gesso, apelidada de Deusa da Democracia, uma referência clara à estátua da liberdade dos Estados Unidos. O governo comunista, contudo, dispersou a manifestação empregando o exército. A cena de um jovem estudante barrando sozinho uma coluna de tanques entraria para a História do século XX como uma das imagens políticas mais expressivas e emocionantes.
Em novembro de 1989, o Muro de Berlim cairia. O símbolo maior da Guerra Fria na Europa foi colocado abaixo após a Alemanha Comunista permitir que a população de Berlim Oriental pudesse transitar livremente para a Berlim Ocidental. A população alemã, empolgada, começou a destruir o muro. Em outubro de 1990, as duas Alemanhas finalmente passariam pelo processo de reunificação política, que, infelizmente, foi acompanhado pelo discreto retorno de manifestações xenofóbicas e neonazistas, que tinham como alvos principais os imigrantes do Leste Europeu e da Turquia.

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Em dezembro de 1989, o vento da liberdade oriental varreria de modo extremamente violento a ditadura comunista da Romênia. O ditador Nicolau Ceaucescu, não aceitando a perda do poder, acabaria enfrentando uma manifestação popular que nem mesmo a sekuritat, a polícia secreta romena, conseguiria barrar. O casal Ceaucescu seria fuzilado próximo à noite de Natal de 1989.
Em julho de 1991, após a declaração de independência da Eslovênia e da Croácia, começa a guerra civil da Iugoslávia, que levaria à fragmentação política do país, na qual a Bósnia-Herzegovina e a Macedônia também se desligariam. O país, contudo, manteria o nome Iugoslávia até 2003, quando assumiria simplesmente a denominação de Sérvia e Montenegro.
Em agosto de 1991, uma junta da linha-dura soviética tenta, em vão, barrar as reformas de Gorbatchev que, efetivamente, acabariam com o socialismo na Europa oriental. O golpe, contudo, enfrenta a resistência da população russa, liderada por Boris Yeltsin, futuro presidente da Rússia democrática. Gorbatchev acaba sendo libertado e imediatamente as repúblicas bálticas, acompanhadas posteriormente por Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, declaram independência, formando a Comunidade dos Estados Independentes. Em 25 de dezembro de 1991, formalmente a União Soviética deixava de existir. Em 1993, a Revolução de Veludo, na qual a República Tcheca e a Eslováquia se separam pacificamente, completou o quadro da crise do socialismo.