Ao longo do tempo, especialmente após a queda do Império Romano, o latim sofreu inúmeras mudanças e acabou por transformar-se em uma gama enorme de idiomas, como o italiano, o francês, o romeno, o espanhol, o provençal, o catalão, o sardo, o dalmático, o galego e, claro, nosso português.
O latim, introduzido na Península Ibérica em torno do século III AEC, foi a língua oficial da região até a chegada dos invasores germânicos que ficaram na localidade do século V ao VII. A península é invadida pelos muçulmanos em 711 e permanecem por lá até por volta do século X. Apenas no século XII surge o reino de Portugal. Durante toda essa jornada, o latim falado na região sofreu a influência das línguas germânicas, do árabe, além da natural evolução temporal que sofre qualquer idioma falado.
Palavras de influência germânica: agasalhar, aia, albergue, arrear, bando, brotar, elmo, enguiçar, espeto, espiar, espora, estaca, ganso, garbo, guarda, guerra, íngreme, luva, mofo, roca, sítio, trégua triscar;
Palavras de influência árabe: Açúcar, alcateia, álcool, alcova, aldeia, alecrim, alfaiate, alface, alfândega, algarismo, algibeira, algoz, almanaque, almofada, alquimia, armazém, arroz, arsenal, auge, azul, damasco, elixir, enxaqueca, esmeralda, fulano, garrafa, girafa, harém, ímã, javali, limão, magazine, masmorra, mesquita, resma, sorvete, sultão, talco, tapete, xadrez, xarope, xaveco, xeque, xerife, zarabatana.
Os primeiros textos escritos em português datam do século XIII. Esses registros mostram que a língua portuguesa não se diferencia do galego, idioma utilizado na província da Galícia, que, nos dias de hoje, fica na Espanha. Foi essa língua amalgamada, “galego-português” ou “galaico-português”, que era a “versão do latim” falada na região da Península Ibérica.
As primeiras obras do Trovadorismo, como cantigas de amor e cantigas de amigo são registradas nesse “proto” português. Somente por volta de 1350, com a extinção da escola literária galego-portuguesa, que o português se afirma como língua independente, oficializando como a expressão idiomática do Reino de Portugal.
A partir do século XV, com a expansão marítima, Portugal começa a levar sua língua ao mundo. Transportada por capitães e fixada junto às conquistas e colonizações, o português chega à África, Ásia, Oceania e, evidentemente, desembarca também no Brasil.
É no século XVI que a língua encontra seu “esplendor” renascentista. Os Lusíadas de Camões e a publicação da primeira gramática da língua portuguesa em 1536 por Fernão de Oliveira são marcos significativos que elevam a língua portuguesa a uma organização e expressão extraordinárias.
Neste período, era comum que os portugueses nobres e aqueles em campanhas colonizatórias usassem também o espanhol como segunda língua e muitos autores portugueses também escrevem suas obras na língua vizinha. Essa proximidade geográfica, cultural e política acaba por influenciar ambas as línguas ao longo da história.
Palavras de influência espanhola: Aperrear, boina, bolero, caudilho, cavalheiro, chiste, cordilheira, galã, lagartixa, mantilha, mochila, muleta, pirueta, tijolo
A partir do século XVIII, por conta da preponderância econômica, política e cultural da França, o francês passa a ser uma língua de prestígio mundial, contribuindo com diversas expressões que acabaram por ser incorporadas à língua portuguesa. Fato semelhante ocorre a partir do século XX com o inglês, devido, em especial, à influência dos Estados Unidos.
Palavras de influência francesa: Ateliê, abajur, avenida, bijuteria, bufê, buquê, capô, chance, chassis, chique, chofer, crachá, departamento, envelope, felicitar, greve, guichê, menu, omelete, pose, restaurante, sutiã, toalete, tricô, vitrine.
Palavras de influência inglesa: Basquetebol, bife, coquetel, detetive, escanear, estartar, filme, futebol, lanche, náilon, nocaute, pulôver, repórter, sanduíche, suéter, xampu.
No Brasil, a língua desenvolveu-se com influência das línguas indígenas e das línguas de origem africana, traços sentidos tanto no vocabulário quanto na pronúncia brasileira, que se diferencia da forma de falar dos europeus. Esporadicamente, palavras e termos oriundos de línguas dos imigrantes também se incorporaram ao léxico português.
Palavras de influência africana: Acarajé, angu, babalaô, batuque, cachumba, cachimbo, caçula, candoblé, cochilar, Exu, fubá, Iemanjá, miçangacamundongo, marimbondo, moleque, quilombo, senzala, tanga.
Palavras de influência tupi: Abacaxi, arara, capinar, carioca, jabuticaba, jararaca, jiboia, mandioca, Mooca, Niterói, piranha, Tietê, urubu.
Palavras de influência italiana: Cantina, boletim, carnaval, mortadela, risoto, salsicha, confete, porcelana, banquete, macarrão, cenário, violino, violoncelo, bandolim, sonata, ária, dueto, soprano.
Com duzentos milhões de falantes da língua e sua ampla territorialidade, o Brasil é o principal país lusófono.
É comum que hoje se diferenciem o português europeu do português brasileiro, dado que apresentam variações significativas nos campos fonético, lexical e sintático.
A língua portuguesa, hoje a quinta língua mais falada no mundo em número de falantes, estende seus domínios por todos os continentes, sendo falada oficialmente, além de Brasil e Portugal, em Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor Leste. Além disso, regiões como Goa, na Índia, e Macau, na China, também são regiões onde a língua é falada, herança dos tempos das grandes navegações empreendidas pelos portugueses.